segunda-feira, 23 de março de 2026

CRÍTICA SOBRE PROJETO "OLHAR" - ISABELA DE OLIVEIRA LOPES.

O exercício propõe que usemos nosso repertório para enxergar um "lugar" onde, teoricamente, só existe um objeto comum. No conjunto apresentado, vejo um esforço bem-sucedido em descontextualizar a escala real para criar algo novo.

Imagem 1: 

Nesta primeira foto, fui transportada imediatamente para o palco de um teatro abandonado. Existe uma atmosfera dramática, quase como um cenário de O Fantasma da Ópera, onde a edição foi essencial para construir esse mistério. Sinto que, se o enquadramento tivesse cortado um pouco mais da parte superior e evitado os elementos em primeiro plano que nos puxam de volta para a "realidade" do objeto, a imersão seria melhor construida. Ainda assim, a composição é curiosa e dialoga muito bem com a ementa.

Imagem 2: 

Aqui, percebo talvez a intenção de projetar a estética de um edifício brutalista. O uso do tijolo para mimetizar um provavel edificio é um caminho interessante, mas senti que as proporções acabaram revelando a natureza da foto. A impressão de que o objeto está "perto demais" ainda se mantem, e a edição que funcionou tão bem na primeira imagem aqui acabou evidenciando mais o material do que o "lugar" pretendido. Talvez uma mudança de ângulo ajudasse na composição.

Imagem 3: 

Esta é, sem dúvida, a minha preferida. Ela consegue criar um lugar de forma muito convincente: parece uma fonte de água ou uma estrutura de infraestrutura urbana de grande escala. O que mais me agrada é como a ausência da figura humana, em vez de esvaziar a cena e apenas um pré-requisito para a ementa, acaba acentuando a sensação de imensidão. O ângulo escolhido e o jogo de luz e sombra no reflexo da água casaram perfeitamente com a proposta, provando o olhar detalhista da colega. 

No geral, o conjunto é muito coerente. É gratificante ver como a Isabela subverteu o óbvio e transformar objetos comuns e espaços inusitados em narrativa.

quinta-feira, 19 de março de 2026

PRIMEIROS COMENTÁRIOS: LIÇÕES DE ARQUITETURA - HERMAN HERTZBERGER.

A leitura dos capítulos iniciais do “Lições de Arquitetura”, de Herman Hertzberger, nos força a encarar a arquitetura não como uma produção isolada, mas como um processo que conversa entre o repertório acumulado e a prática social. O que mais me chamou a atenção, foi a desmistificação da originalidade pura. O texto diz que tudo o que absorvemos forma uma espécie de biblioteca mental, um quadro de referências que se expande e nos ajuda a decidir que direção tomar. Para ele, o objetivo não é ensinar a "fazer um projeto", mas sim despertar uma dita mentalidade arquitetônica.

"Importante é o que o homem faz com o que fazem dele", essa mentalidade se aprofunda na analogia do xadrez que concentra uma visão de que as regras não são amarras, e que na verdade, um conjunto fixo de regras é o que cria a liberdade. Assim como na língua e na fala, a competência técnica só ganha sentido no "desempenho", ou seja, no uso real, na maneira como a forma é interpretada em situações específicas. É o projeto deixando de ser apenas matéria para se tornar intenção. Sobre o Público e Privado, a análise de Hertzberger foge do senso comum ao criticar a falsa escolha entre individualismo e coletivismo. O coletivismo moderno ser uma "barreira para evitar o encontro consigo mesmo" me fez refletir sobre como a arquitetura muitas vezes falha ao não equilibrar ambos. A arquitetura deve ser onde o indivíduo e a coletividade se encaram de frente, sem que um anule o outro. Por fim,"toda intervenção nos ambientes das pessoas tem uma implicação social" é o ponto que diz que a arquitetura não pode ser indiferente; ela deve se ajustar a nós e manifestar um interesse real pela vida cotidiana. Uma forma é convidativa não porque é esteticamente impecável, mas porque consegue ser, ao mesmo tempo, um suporte confortável para o dia a dia e um estímulo para as relações humanas. Projetar, portanto, é ter a responsabilidade de inscrever humanidade na matéria. 

 

sábado, 14 de março de 2026

APRESENTAÇÃO!!!

Olá! Sou Lanna Stefany Soares da Silva e tenho 19 anos. Nasci na cidade de Barra, a 650 km de Salvador, mas vivi a vida inteira em Buritirama, uma pequena cidade no oeste da Bahia. Em 2024, me mudei para Barreiras para cursar Engenharia Sanitária e Ambiental na Universidade Federal do Oeste da Bahia. Concluí quatro semestres antes de perseguir meu sonho de fazer Arquitetura e Urbanismo e vir para a UFMG.

Estou em Belo Horizonte há quase três semanas (26/02) e estou encantada pela cidade, com seus prós e contras, em grande parte por causa de sua arquitetura. Meu amor pela área talvez venha de muito antes da experiência de ver meu tio desenhar uma planta baixa ou de passar horas empilhando blocos no The Sims ou Minecraft. Desenho desde muito nova e sempre fui conectada a esse mundo. O "problema"? Enquanto meus amigos sempre sabiam o que responder sobre o futuro, eu queria ser tudo: historiadora, pintora, estilista, política, cineasta, professora, engenheira... mas, acima de tudo, queria ser criativa.

Eu sabia que queria a arte, mas temia transformar meu maior hobby em obrigação. Eu queria a política, pois vivo em discussões sobre o futuro da sociedade; a história, pois me fascina como as paredes contam o caminho de uma cidade tão bem quanto os livros; e a moda, pois entendo que a estética diz muito sobre o mundo. No fim, percebi que a Arquitetura e Urbanismo era tudo isso e um pouco mais.

“Não há beleza rara sem algo de estranho nas proporções.” — Edgar Allan Poe

CRÍTICA SOBRE PROJETO "OLHAR" - ISABELA DE OLIVEIRA LOPES.

O exercício propõe que usemos nosso repertório para enxergar um "lugar" onde, teoricamente, só existe um objeto comum. No conjunt...